GEO é a nova tendência do momento e se trata de uma estratégia voltada à visibilidade em inteligências artificiais, que amplia o desafio das marcas: além de aparecer nos resultados de busca tradicional, elas precisam ser compreendidas e consideradas nas respostas das IAs. Ricardo Sanfer, fundador da Vendemkt e autor de Visível para IA, explica essa transformação
Durante décadas, quando uma pessoa precisava buscar informações sobre uma empresa ou produto, ela abria o navegador em seu computador ou smartphone, e pesquisava no Google. O processo consistia em navegar pelos tradicionais links azuis que o Google entregava como resposta, buscando assim, encontrar a informação desejada. Esse caminho continua existindo, mas deixou de ser soberano. Começou a perder espaço para as inteligências artificiais, que por sua vez, entregam uma resposta de forma direta e objetiva, comparando produtos, empresas e preços em uma só resposta. Essa transição, da página de resultados para a conversa, é o ponto de partida do livro “Visível para IA”, de Ricardo Sanfer.
Em vez de procurar apenas por “software de gestão” por exemplo, um empresário pode perguntar “qual sistema atende melhor uma pequena indústria, considerando orçamento, integração com vendas e suporte no Brasil?”. Perceba que para obter esta resposta no modelo tradicional do Google, era necessário ler diversas páginas e fazer uma análise detalhada antes de decidir. A mudança, portanto, não está apenas no tamanho da pergunta. Está na expectativa de receber uma análise que ajude a decidir, e não somente uma relação de páginas para visitar.
Essa mudança de paradigma muda o cenário para as empresas, pois acrescenta um novo desafio à presença digital: estar disponível na internet não significa, necessariamente, ser mencionado quando um potencial cliente pede uma recomendação a uma IA. É nesse espaço que ganha relevância o GEO, sigla de Generative Engine Optimization, ou otimização para motores generativos. O termo descreve um conjunto de estratégias voltadas à ampliação da visibilidade de conteúdos nas respostas desses sistemas.
Uma mudança que já aparece no comportamento de busca
O próprio Google já implementou diversas mudanças em seu buscador tradicional, incorporando resumos produzidos por inteligência artificial à experiência de pesquisa. Um levantamento do Pew Research Center ajuda a dimensionar como esse recurso se relaciona com o comportamento dos usuários.
A instituição analisou a navegação de 900 adultos nos Estados Unidos em março de 2025. Nas visitas a páginas de busca com um resumo de IA, houve clique em páginas tradicionais em apenas 8% dos casos. Quando o resumo não estava presente, a proporção foi de 15%. Os números se referem à amostra norte-americana e não devem ser interpretados como uma medida do mercado brasileiro, mas mostram uma diferença relevante entre as duas experiências de pesquisa.
Para quem administra um negócio, a questão deixa de se limitar ao volume de visitas no site. Passa a incluir como a marca é apresentada nos ambientes em que o consumidor procura informações e compara alternativas, uma preocupação central na abordagem desenvolvida por Sanfer em seu livro.
O que é GEO e por que não significa abandonar o SEO
É importante ressaltar aqui, que SEO, conjunto de práticas para melhorar a presença nos mecanismos de busca, continua fazendo parte dessa estratégia, pelo menos em dois aspectos importantes: primeiro, SEO técnico é a base para o bom funcionamento de um site, e consequentemente, para as IAs fazerem suas buscas. Segundo, o Google emitiu uma nota no mês de junho deste ano (2026) afirmando não reconhecer GEO, e que todas as estratégias para citações em suas IAs devem continuar sendo chamadas de SEO.
Este posicionamento do Google gerou um alvoroço no mundo do marketing digital, a ponto de muitos afirmarem que GEO não existe. Porém aqui, precisamos entender que o Google não é mais soberano. Antes das IAs, o Google detinha cerca de 95% das buscas na internet, porém, após o advento das Inteligências artificiais, o Google perdeu espaço, tendo, hoje, em torno de 60% das buscas sob seus domínios. Então, ao contrário do que acontecia anteriormente, a posição do Google é regra somente para o próprio Google, e não para as IAs nativas, as quais entendem GEO como a prática correta para ser citados por IAs.
Na prática, SEO e GEO têm seus espaços, para os modelos de busca tradicional, continuam as práticas tradicionais de SEO, para as IAs do Google, a nomenclatura continua SEO, porém com a inserção de práticas de GEO. E por fim, para as IAs nativas, as estratégias de citação estão completamente atreladas às configurações e otimizações de GEO.
Com toda essa mudança, se faz necessário entender, cada vez com mais precisão, o que exatamente a empresa faz, quais públicos atende, onde atua e quais evidências sustentam suas afirmações. Também exige observar a presença da marca fora do próprio site e acompanhar como diferentes plataformas a representam. Esses são elementos da metodologia de posicionamento digital adotada pela Vendemkt.
A pesquisa que ajudou a estabelecer o campo
O GEO não surgiu apenas como uma expressão comercial. O artigo científico “GEO: Generative Engine Optimization”, disponibilizado inicialmente em novembro de 2023, apresentou um modelo para otimizar e medir a visibilidade de conteúdos em motores generativos. Nos experimentos, os pesquisadores observaram ganhos de até 40% nas métricas de visibilidade utilizadas, com resultados diferentes conforme o domínio temático.
O percentual exige contexto: não representa uma promessa de aumento de vendas, nem uma garantia de que qualquer marca será recomendada. Trata-se de um resultado experimental, medido nas condições da pesquisa. A contribuição do trabalho foi demonstrar que a presença de uma fonte nas respostas pode ser estudada e influenciada por mudanças no conteúdo.
A Vendemkt apresenta uma leitura do estudo e de suas aplicações em um artigo sobre GEO-BENCH e a pesquisa associada a Princeton, utilizado pela empresa em sua abordagem educacional sobre o tema.
Ricardo Sanfer conecta pesquisa, educação e aplicação empresarial
Fundador da Vendemkt, Ricardo Sanfer atua como estrategista, professor e especialista em SEO, GEO e inteligência artificial aplicada ao marketing. Sua trajetória reúne mais de 20 anos de experiência, mestrado em Marketing Digital e Redes Sociais, mestrado em Marketing Digital e e-Commerce e pós-graduação em Marketing e Inteligência Artificial, conforme sua biografia institucional.
Sanfer é autor de “Visível para IA: Como ser citado, recomendado e escolhido pelos motores generativos”. A obra aborda a transformação das buscas, os fundamentos dos sistemas generativos, a estruturação de conteúdos e o monitoramento da presença de marcas nas respostas de IA.
“Quando o motor responde com uma lista, você compete por posição. Quando o motor responde com uma síntese, você compete por citação”, explica Ricardo Sanfer, em “Visível para IA”.
A formulação traduz o desafio tratado na obra: ampliar o posicionamento digital para além do ranking de páginas.
Vendemkt estrutura assessoria e formação para a era das respostas
A Vendemkt é a primeira empresa brasileira a trabalhar com a metodologia de GEO no Brasil, oferecer cursos de GEO e estruturar assessoria especializada em citações para IA por meio de GEO e AEO. Esse posicionamento é descrito em seus materiais institucionais e no artigo sobre a trajetória da empresa nesse mercado.
Seu trabalho combina diagnóstico, implementação técnica, produção de conteúdo e monitoramento. A metodologia inclui mapear perguntas relevantes para o negócio, analisar as respostas das plataformas, identificar concorrentes mencionados, melhorar a estrutura do site e acompanhar a evolução da presença e da marca.
O monitoramento não se resume a verificar se o nome da empresa apareceu. A assessoria registra o contexto da menção, a posição na resposta, o sentimento associado à marca e as fontes indicadas, buscando distinguir uma simples referência de uma recomendação relacionada à intenção do usuário.
Qual é o próximo desafio?
Para empresas que desejam compreender sua situação nesse cenário, o ponto de partida, proposto por Sanfer, é investigar as perguntas que seus clientes fariam às IAs e observar como a marca aparece nas respostas. A análise inclui verificar ausências, informações incorretas, concorrentes presentes e oportunidades de conteúdo.
O objetivo não é abandonar o Google nem tratar uma recomendação automatizada como resultado garantido. É construir uma presença digital mais clara, verificável e consistente, acompanhando os ambientes em que o público busca orientação.
Na perspectiva apresentada em “Visível para IA”, essa é a passagem da disputa exclusiva por cliques para um trabalho mais amplo de construção de autoridade: não apenas ser encontrado, mas reunir condições para ser compreendido, citado e considerado quando alguém procura uma solução.