Cardiologista com quase três décadas de experiência reforça a importância do acompanhamento individualizado, da identificação precoce de fatores de risco e do uso adequado da tecnologia para proteger a saúde cardiovascular
Cuidar da saúde do coração não significa esperar que os primeiros sinais de uma doença apareçam. Para a cardiologista Dra. Uelra Rita Lourenço, a prevenção deve fazer parte do acompanhamento médico ao longo de toda a vida, especialmente quando existem fatores de risco ou histórico familiar de doenças cardiovasculares.
Formada em Medicina pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em 1996, a médica construiu sua trajetória profissional em importantes instituições brasileiras. Realizou residência em Clínica Médica na Santa Casa de São Paulo, entre 1997 e 1998, e posteriormente residência e especialização em Cardiologia no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, entre 1999 e 2000.
Na sequência, aprofundou sua formação em Arritmias Cardíacas e Estimulação Cardíaca Artificial no Instituto do Coração (InCor) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), entre 2001 e 2002. É especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e possui Doutorado em Cardiologia pela Universidade de São Paulo (USP), concluído entre 2012 e 2016.
A aproximação com a Medicina começou ainda na infância, influenciada pela experiência familiar com o adoecimento do pai. Segundo a cardiologista, essa vivência despertou a curiosidade sobre o funcionamento do corpo humano e, principalmente, o desejo de ajudar pessoas em momentos de fragilidade.
A escolha pela Cardiologia também esteve relacionada à presença de doenças cardiovasculares na família. Ao longo da formação médica, o interesse pela especialidade se consolidou, especialmente pela possibilidade de unir raciocínio clínico, tecnologia, prevenção e acompanhamento contínuo.
Atualmente, Dra. Uelra Rita Lourenço atua principalmente nas áreas de cardiologia clínica e preventiva, com atenção especial à prevenção cardiovascular, hipertensão arterial, arritmias, fibrilação atrial, avaliação de risco cardiovascular e acompanhamento individualizado. Também dedica atenção à relação entre saúde cardiovascular, longevidade e qualidade de vida.
“Não acompanhamos apenas um eletrocardiograma ou um ecocardiograma: acompanhamos uma pessoa e a maneira como aquela condição interfere na vida dela”, explica.
No caso das arritmias, a investigação considera o tipo de alteração do ritmo, a frequência dos episódios, os sintomas e a existência de possíveis doenças cardíacas associadas. Dependendo de cada situação, podem ser indicados exames como eletrocardiograma, Holter, monitorização prolongada, ecocardiograma e exames laboratoriais.
Um dos desafios, segundo a especialista, é que algumas arritmias são intermitentes. O paciente pode apresentar palpitações em determinados momentos e ter um eletrocardiograma normal durante a consulta. Nessas situações, métodos de monitorização por períodos maiores podem aumentar a possibilidade de registrar a alteração justamente quando os sintomas acontecem.
A cardiologista também chama atenção para sintomas que muitas vezes são atribuídos automaticamente ao estresse, à idade ou ao sedentarismo. Palpitações, falta de ar, cansaço, tonturas e episódios de desmaio merecem avaliação médica, principalmente quando são novos, persistentes ou associados a outros sinais.
Na insuficiência cardíaca, mudanças aparentemente simples na rotina também podem indicar uma alteração. Dificuldade progressiva para subir escadas, falta de ar, inchaço nas pernas e ganho rápido de peso são exemplos de sinais que precisam ser observados.
Para Dra. Uelra, o tratamento não deve se limitar à prescrição de medicamentos. O acompanhamento envolve também controle dos fatores de risco, orientação sobre hábitos de vida, atividade física quando apropriada e educação do paciente para reconhecer sinais de alerta.
“Quanto melhor o paciente compreende o que está acontecendo com seu coração, mais ele consegue participar do próprio cuidado”, afirma.
Outro ponto destacado pela médica é a importância de controlar condições que podem contribuir para o surgimento ou agravamento de problemas cardiovasculares. Hipertensão, diabetes, obesidade, apneia do sono, sedentarismo e consumo excessivo de álcool, por exemplo, precisam ser considerados dentro de uma avaliação ampla.
Na fibrilação atrial, essa abordagem é particularmente importante. Além do controle da arritmia e dos sintomas, é necessário avaliar individualmente o risco de complicações, incluindo o risco de acidente vascular cerebral (AVC). Quando indicado, estratégias específicas, como o uso de anticoagulantes, podem ser adotadas pelo médico.
A tecnologia também transformou o acompanhamento cardiológico. Atualmente, é possível monitorar o ritmo cardíaco durante períodos prolongados, o que amplia a capacidade de identificar alterações que poderiam passar despercebidas em exames realizados durante poucos segundos.
Relógios inteligentes e outros dispositivos também passaram a fazer parte da rotina de muitos pacientes. Alertas de ritmo irregular podem ser úteis como ponto de partida para uma investigação, mas não devem ser considerados, isoladamente, como diagnóstico definitivo.
“É preciso analisar o registro, os sintomas, a história clínica e, quando indicado, confirmar o achado pelos métodos apropriados”, orienta.
A evolução dos exames, dos dispositivos cardíacos implantáveis e das técnicas de ablação por cateter também ampliou as possibilidades terapêuticas para determinados tipos de arritmia. Para a especialista, entretanto, a tecnologia deve estar sempre associada à avaliação médica e à interpretação individualizada dos dados.
Com aproximadamente três décadas de experiência, Dra. Uelra reúne atuação em instituições de referência, assistência hospitalar, urgência e emergência, serviço público, consultório particular e docência universitária. Atualmente, também é professora do curso de Medicina da Universidade Nove de Julho (UNINOVE).
Essa combinação entre experiência clínica, formação acadêmica e atualização científica contribui para uma abordagem que busca compreender o paciente de maneira integral.
Para a cardiologista, uma das principais mudanças na área nos últimos anos foi justamente a ampliação do olhar sobre as arritmias. O objetivo deixou de ser apenas identificar e tratar uma alteração do ritmo e passou a envolver também a avaliação de riscos, sintomas, qualidade de vida, doenças associadas e fatores modificáveis.
“Depois de tantos anos trabalhando com cardiologia, acredito que uma das maiores evoluções foi passarmos de uma medicina muito concentrada em tratar a alteração para uma medicina cada vez mais preocupada em compreender o indivíduo, estimar seu risco e evitar complicações ao longo da vida”, destaca.
A filosofia profissional da médica parte da compreensão de que a cardiologia não deve começar somente quando a doença aparece. A prevenção, a escuta cuidadosa e o acompanhamento periódico podem contribuir para identificar riscos antes que eles resultem em eventos cardiovasculares graves.
Mais do que tratar doenças, a proposta é ajudar o paciente a compreender sua própria saúde cardiovascular, reconhecer fatores de risco e tomar decisões que contribuam para uma vida mais longa e com qualidade.
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