Artista mergulha em experiências familiares, filosóficas, espirituais e emocionais para construir um projeto que desafia gêneros musicais e ganha turnê nacional após o lançamento
Depois de apresentar ao público o single “a equipe”, D$` Luqi se prepara para lançar, no dia 8 de agosto, o álbum “Uototogoka”, trabalho que define como o mais íntimo e desafiador de sua trajetória. Muito além de um novo repertório, o projeto funciona como um retrato de sua própria vida, reunindo experiências pessoais, reflexões sobre o mundo e uma busca por traduzir sentimentos em música.
Segundo o artista, o álbum nasceu da necessidade de colocar para fora tudo o que viveu e acredita. As composições abordam diferentes camadas de sua trajetória, passando por questões familiares, emocionais, políticas, filosóficas e espirituais.
“Esse álbum é sobre mim, sobre o que eu penso do mundo, sobre como eu me relaciono com as coisas e como o mundo me afeta. É sobre as minhas raízes, sobre as minhas experiências e uma reflexão sobre a vida no geral”, explica.
O título também carrega um significado profundamente pessoal. A resposta para o enigmático “Uototogoka” só será revelada na última faixa do disco, que traz um áudio gravado pelo próprio cantor anos atrás. O nome nasceu de um personagem criado por ele durante a infância, quando inventava histórias e brincava sozinho como uma forma de escapar da realidade.

“Eu lembrei dessa conversa muito tempo depois e resolvi colocar esse áudio no álbum. O nome vem de um personagem que eu criava quando era criança. Era uma forma de fugir da minha realidade naquela época”, conta.
Musicalmente, D`$ Luqi evita qualquer definição. Conhecido por não se prender a fórmulas, o cantor afirma que constrói suas músicas guiado pelo estado emocional de cada momento, e não por gêneros específicos.
Essa liberdade faz com que “Uototogoka” percorra diferentes caminhos sonoros ao longo das faixas. O disco começa de forma mais acessível, mas mergulha gradualmente em atmosferas cada vez mais densas, acompanhando a intensidade dos temas abordados nas letras.
“O instrumental precisa transmitir o mesmo sentimento da música. Não penso em fazer um ‘type beat’ ou seguir um gênero específico. Quero que a melodia provoque uma emoção em quem escuta”, afirma.
Essa proposta explica a diversidade presente no álbum. Entre as influências aparecem elementos de trap, funk, drum and bass e até sonoridades que se aproximam do rock, sempre colocadas a serviço da narrativa construída pelo artista.
Embora “a equipe”, lançado em junho, apresente uma energia mais dançante, Luqi vê a faixa como uma porta de entrada para um trabalho que se torna cada vez mais intenso conforme avança.
O processo de criação também exigiu tempo. Foram cerca de seis meses entre composição e gravação, tornando este o álbum mais demorado de sua carreira. A razão, segundo ele, está justamente na carga emocional envolvida.
“Eu precisei esperar as emoções certas para gravar determinadas músicas. Tive que viver cada sentimento antes de conseguir escrever sobre ele. Não queria que as pessoas apenas entendessem a letra, mas que sentissem aquilo que eu senti quando estava vivendo aquelas experiências.”
As participações especiais seguem a mesma lógica intimista do projeto. Em vez de escolhas estratégicas, D$` Luqi reuniu amigos que fazem parte de sua vida e conhecem de perto sua trajetória.
“Meu trabalho é a minha vida. Então eu só coloquei pessoas em quem confio, que conhecem quem eu sou fora da música e entendem a importância de tudo o que estou falando no álbum.”
Para os fãs, muitos desses nomes já são familiares por acompanharem o artista há anos, tanto nos palcos quanto nos bastidores. Segundo Luqi, isso ajuda a reforçar o sentimento de acolhimento que atravessa todo o projeto.
Além do lançamento do álbum, o artista confirmou um clipe no mesmo dia da estreia e uma turnê nacional, que passará por 10 cidades, totalizando 13 apresentações.
Mesmo diante da expectativa dos fãs, D`$ Luqi prefere manter os pés no chão. “Eu não gosto de criar expectativa porque isso gera ansiedade. O que eu espero é que o meu público entenda a mensagem e encontre valor no que eu estou fazendo. Se isso acontecer agora ou daqui a muitos anos, para mim já faz sentido. Se alguma música furar a bolha, vou ficar feliz, mas não faço pensando nisso.”