Pular para o conteúdo
Notícias

O prodígio da matemática que monta empresas como quem diversifica uma carteira

Guilherme Matsumoto projeta R$ 18 milhões de faturamento neste ano com 15 negócios que vão de lar de idosos a eventos de cosplay

Guilherme Matsumoto, o Guilherme Matsu, foi aluno de alta performance e hoje é multiempresário.

Guilherme Matsumoto projeta R$ 18 milhões de faturamento neste ano com 15 negócios que vão de lar de idosos a eventos de cosplay

Guilherme Matsumoto, conhecido como Guilherme Matsu, projeta faturamento de R$ 6 milhões neste ano somando 12 a 15 negócios principais que, à primeira vista, pouco têm em comum: um lar de idosos, uma barbearia, um estúdio, uma produtora, um marketplace geek e eventos de cosplay. O que costura a lista é a lógica de uma carteira de investimentos. Cada empresa funciona como um ativo, e a soma de fontes de receita sem correlação entre si reduz a dependência de um único setor.

A tese foge do padrão do empreendedor brasileiro. Segundo o Atlas dos Pequenos Negócios, do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), 71% dos donos de micro e pequenas empresas não têm outra fonte de renda além do próprio negócio. A permanência no mercado também pesa: das empresas empregadoras nascidas em 2017, 37,9% seguiam ativas cinco anos depois, de acordo com a pesquisa Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O caminho de Matsumoto até essa tese começou longe dos negócios. Criado pelos avós em uma família japonesa que ele define como cartesiana, conta ter acumulado primeiros lugares e pódios em olimpíadas de matemática e estudado em escola particular graças às notas. Aos 17 anos, segundo ele, foi aprovado em primeiro lugar em Economia na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), na USP (Universidade de São Paulo) e na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), onde se formou como primeiro da turma.

Tudo apontava para uma carreira corporativa. Em 2011, um curso de autoconhecimento o levou a questionar esse roteiro, embora a virada tenha sido construída aos poucos. Entre janeiro de 2015 e dezembro de 2017, ele trabalhou em regime CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) numa empresa de treinamentos e consultoria, na área de vendas. Em 2016, ainda empregado, começou a lançar infoprodutos. Segundo o empresário, eles rendiam entre R$ 10 mil e R$ 20 mil por mês em valores da época.

O CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) próprio veio em 2018. Em 2020, ele relata ter feito aportes na bolsa com o Ibovespa na faixa dos 69 mil pontos, durante a queda provocada pela pandemia. No ano seguinte, entrou como sócio numa empresa de eventos que segue ativa. Desde então, incorpora em média uma empresa nova por ano. Entre os negócios de maior permanência estão o lar de idosos, os treinamentos, um coworking de saúde e o marketplace.

Pelas contas do empresário, os negócios principais faturam em média cerca de R$ 600 mil por ano, enquanto as operações menores ficam entre R$ 60 mil e R$ 100 mil anuais. Ele estima o valor consolidado da carteira em cerca de R$ 5,5 milhões e compara a estabilidade de participações diversificadas à de ativos de renda fixa. O lar de idosos, mantido desde 2024, dá a medida de um dos ativos de maior porte. Matsumoto o avalia em R$ 350 mil, a operação reúne mais de 20 colaboradores e gera retorno mensal de R$ 8 mil.

Na Clique Produções, que segundo ele faturou em um único mês mais do que no ano anterior inteiro, o aporte em equipamentos foi estruturado juridicamente como empréstimo, com garantia de restituição patrimonial em caso de distrato. O desenho protege o capital do investidor caso a sociedade seja desfeita e mostra o peso que a governança ganhou na carteira.

A escolha de sócios virou critério central a partir do aprendizado com sociedades anteriores. Hoje, Matsumoto exige valores congruentes, um sócio operador especialista no segmento, ética de trabalho e autorresponsabilidade. As parcerias mais recentes são formalizadas em acordos e contratos societários que definem responsabilidades, regras para conflitos e sucessão.

Esses critérios formam o primeiro de três pilares de um método que ele diz ter validado nos próprios negócios. Os sócios passam por seleção, entrevistas e acordo societário. O capital é submetido a análise de viabilidade, com cenários pessimista, realista e otimista, prazo de retorno, ponto de equilíbrio e alavancagem com recursos de terceiros. Os processos administrativos, comerciais, de marketing e financeiros são organizados com base em gestão enxuta.

Matsumoto afirma que seu propósito é “transformar o mundo por meio da educação”. Na prática, isso se traduz numa mentoria voltada à concepção e à abertura de novos negócios. Ela é pensada para empresários que já têm uma operação em funcionamento e querem usar a estrutura e os recursos existentes para criar novas frentes de receita.

O público potencial é amplo. A edição 2025 do GEM (Global Entrepreneurship Monitor) é conduzida no Brasil pelo Sebrae com a Anegepe (Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas). Segundo o levantamento, 31,6% dos adultos brasileiros estão envolvidos em alguma atividade empreendedora. A pesquisa também mostra que, entre os empreendedores iniciais, a motivação de construir grande riqueza repetiu o recorde da série, com 69%.

Para os próximos anos, o empresário trata como meta pessoal chegar a 100 CNPJs e a um patrimônio líquido acima de R$ 50 milhões. Os princípios que diz seguir são honestidade, cumprimento do que foi combinado, trabalho duro e inteligente, melhoria contínua (kaizen), Deus e família. Esta reportagem abre uma série de três textos sobre a trajetória e o modelo de gestão de Guilherme Matsu.

Perguntas frequentes

O que é a tese de carteira de empresas de Guilherme Matsu?

A tese de carteira de empresas, defendida pelo multiempresário Guilherme Matsumoto, aplica à gestão de negócios a lógica de diversificação de uma carteira de investimentos. Ele reúne de 12 a 15 negócios principais sem correlação entre si, projeta R$ 6 milhões de faturamento no ano e estima o valor consolidado do portfólio em cerca de R$ 5,5 milhões.

Quais são os pilares do método de Guilherme Matsu para abrir novos negócios?

O método de Guilherme Matsumoto se apoia em três pilares. O primeiro são os sócios, com seleção, entrevistas e acordo societário. O segundo é o capital, com análise de viabilidade, cenários, prazo de retorno e ponto de equilíbrio. O terceiro são os processos administrativos, comerciais, de marketing e financeiros, com base em gestão enxuta.

Quantas empresas brasileiras sobrevivem após cinco anos?

De acordo com o IBGE, 37,9% das empresas empregadoras nascidas em 2017 seguiam em atividade cinco anos depois. O dado ajuda a explicar por que Matsumoto condiciona cada novo negócio a critérios de sociedade, análise de capital e processos definidos antes da abertura.

Negócios e Networking
SOBRE O AUTOR

Negócios e Networking

Negócios e Networking escreve sobre cultura, música, cinema, televisão e entretenimento no Pista Pop.